Em Belém, morte de 80 pessoas após assassinato de PM aponta ação de grupos de extermínio

A série de homicídios que atinge a região metropolitana de Belém, capital do Pará, desde o último final de semana de abril, reflete a ação de grupos de extermínio, muitas vezes formados por policiais militares, de acordo com especialistas ouvidos pela Ponte. A ação desses grupos acaba legitimando a atuação de milícias, que atualmente disputam o território com outros grupos criminosos, como a PGN (Primeira Guerrilha do Norte), facção local que é rival do PCC (Primeiro Comando da Capital).

O estopim para a ação dos grupos de extermínio foi o assassinato da policial militar cabo Maria de Fátima Cardoso, em 29 de abril. A PM, que já vinha sofrendo ameaças, foi executada em sua casa em Ananindeua, cidade vizinha à capital. Desde então, 80 pessoas foram mortas na região metropolitana, segundo dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (SEGUP), atualizados até 13 de maio. Foram 10 mortos no próprio dia 29/4, seguidas de 8 em 30/4, outras 10 em 1/5, 11 assassinatos em 2/5, somados a 5 no dia 4/5, outros 4 no dia 5/5 e, 8 homicídios no dia 6/5. Nos dias seguintes, houve registro de ao menos 2 ou 4 homicídios diariamente, incluindo ao menos 3 policiais militares foram mortos, totalizando o número de 80.

Doutora em ciências sociais, a tenente-coronel da reserva da PM paraense, Cristiane do Socorro Loureiro Lima, explica que, quando morre um policial, automaticamente os homicídios crescem, pela ação ilegal de policiais que passam a agir como matadores. “Antes da cabo, tivemos uma semana com sequência de mortes pelo assassinato de um policial. Ouvi de um aluno policial dizendo que eles estão em uma caça e estão sendo caçados. E é essa sensação que se tem”, pondera. “Estamos entrando em um clima de pânico generalizado e da própria polícia. Tenho observado no discurso [de colegas da ativa] que existe um misto do medo com a vingança: o medo de morrer frente à necessidade de fazer algo. ‘É a gente ou eles’, é o que dizem”, analisa Cristiane.

Os corpos ‘matáveis’ dos bairros pobres

A onda de matança que atinge os corpos consideráveis “matáveis, pessoas que não vão falar muito por eles, normalmente em bairros mais pobres”, como afirma a tenente-coronel da reserva da PM paraense, Cristiane do Socorro Loureiro, tem gerado pânico e até mesmo a criação de alguns estigmas. Um deles é o carro prata. É uma coisa meio cega que escolhe aleatoriamente. “Aqui tem muito do carro prata, veículos que param e atiram. Um aluno disse que parou com seu carro perto de um bar e viu um monte de gente sair correndo. É o mito de que o carro prata chega e vai matar quem estiver aí. Carro prata significa morte agora e um toque de recorrer velado”, explica.

Sobre a atuação de policiais nos grupos de extermínio, Cristiane diz que alguns “saem não fardados, mascarados e executando. Não tem a investigação, mas a indicação de serem policiais. A própria secretaria já identificou parte de grupo com policiais da ativa, outros da reserva, outros com grupos criminais. Mas não se apurou ativamente a atuação delas sobre grau de organização”, criticou. Houve a discussão do envio da Força Nacional para tentar aplacar a situação, mas a possibilidade foi descartada.

O geógrafo e pesquisador da área de segurança e geografia urbana Aiala Colares concorda com Cristiane: a investigação falha do Estado não consegue acabar com as mortes. “Existe toda uma relação preconceituosa, de estigmatizar o morador da periferia, o preto, pobre que no final são o principal alvo dos grupos de extermínio. É uma higienização social e isso é terrível. A característica deles enquanto moradores da periferia faz com que se tornem culpados por um crime que não cometeram. A morte nesse caso passa a ter um fator político de poder. Quanto mais você mata, mais poder você demonstra ter”, explica Colares.

Traficantes X narcomilícias

Colares explica que, nos últimos meses, vem ocorrendo a intensificação de conflitos territoriais que envolvem o narcotráfico e as milícias. “A gente já sabe da presença do CV [Comando Vermelho] no Pará, que hoje vem dando ordem para que os policiais sejam expulsos da periferia, sejam executados para que o tráfico possa ocupar tudo. Ao mesmo tempo, há uma disputa pela milícia, que passou a querer se apropriar do tráfico, extorquindo traficante, executando. A gente já pode falar em narcomilícia atuando no Estado”, afirma.

O tráfico de drogas começa a atuar na periferia da grande Belém, nos anos 90, no contexto das chamadas gangues, de forma pulverizada, não organizada. Alguns dos bairros são Cabanagem, Terra Firme e Tapanã. A partir do momento que esses grupos costuram alianças com o Comando Vermelho, que já tinha uma estrutura, essas gangues vão se transformando em facções ou sendo absorvidas pelo próprio comando. O pesquisador aponta que, hoje, há pelo menos 9 grupos — entre facções criminosas e milícias — atuando no território. A aliança da FDN (Família do Norte) com o CV foi fundamental para o domínio completo da rota da cocaína Manaus-Pará e fez surgir uma nova facção local, especializada em assalto a banco e roubo de caixa eletrônico: a Primeira Guerrilha do Norte (PGN). Essa articulação em rede, basicamente, quer barrar a entrada do PCC (Primeiro Comando da Capital) no estado.

Aiala explica que as disputas passam pelo domínio do território por interesse econômico na “rota do pó”, que oferece vantagem aos parceiros, pelo custo operacional ser mais baixo do que a dominada pelo PCC, que comanda hoje rotas que passam pelo Paraguai, Mato Grosso e Bolívia. “O Pará acabou se tornando um importante nó na rota da cocaína do Comando Vermelho, que vem de Manaus e escoa, em grande parte, para o Sudeste do país”. Em 2014, o PCC chegou a Belém para fazer uma articulação com um grupo ligado ao tráfico de drogas em Terra Firme, na capital paraense. Mas a estratégia não vingou. “Quando se deflagra o conflito entre a FDN e PCC nos presídios, os grupos de tráfico de Belém acharam mais interessante se aproximar do CV porque a cocaína passa por Manaus e acaba sendo vantajoso em termos de custo”.

Os locais dos 13 crimes ocorridos nos dias 5 e 6 deste mês não foram especificados. Dos ataques anteriores, 41 aconteceram na capital Belém, nove em Ananindeua e um em Marituba, outro município que compõe a região metropolitana. A Polícia Civil de cada bairro ficará responsável pelas investigações dos homicídios ocorridos em suas áreas.

Em nota, a SEGUP afirma que a Divisão de Homicídios foi, inclusive, reforçada para agilizar o trabalho de apuração e elucidação dos crimes. A pasta, no entanto, não informou se há investigações específicas que apontem possíveis conexões entre as mortes.

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Hildegard Angel: Minha mãe foi morta por ordem de Geisel

Por Octávio Costa- http://m.jb.com.br/

Filha da estilista Zuzu Angel, morta no governo Geisel, em 1976, a colunista Hildegard Angel não ficou surpresa com as revelações do memorando da CIA. Segundo ela, o gabinete de Geisel encomendou o atentado contra sua mãe, na saída do túnel Dois Irmãos, em São Conrado. O caso de minha mãe está mais do que esclarecido. Não foi um acidente mal esclarecido.

Qual a sua reação diante do documento da CIA que revela a participação do general Geisel nas execuções durante a ditadura militar? 

Vi como uma predestinação. Aqui no Brasil queimaram toda a documentação. Houve queima de arquivos. Fizemos um pacto sinistro. Houve um corporativismo fechado, uma blindagem da história brasileira. Mas havia um documento lá na sede do grande irmão. Eles não contavam com isso.

Você ficou surpresa com os fatos agora revelados? 

Para mim não foi uma revelação. Quando o Claúdio Guerra, que foi delegado do DOPS, escreveu seu livro sobre a repressão, ele mencionou o caso de minha mãe (a estilista Zuzu Angel) e disse que o coronel Freddie Perdigão foi o organizador da emboscada encomendada que matou a minha mãe em 1976.  Foi encomendada a ele diretamente pelo gabinete do Geisel. A Comissão da Verdade recorreu ao livro do agente do Dops e ele mencionou que  havia foto do Perdigão no local do crime, na saída do túnel Dois Irmãos (hoje Zuzu Angel), em São Conrado.

Qual foi a conclusão das investigações? 

O caso de mamãe foi investigado desde a Comissão dos Mortos e Desaparecidos até a Comissão Nacional da Verdade. As três comissões fizeram investigações, ouviram testemunhas e peritos, e concluíram que minha mãe foi vítima de uma emboscada por agentes do governo.  O ex-ministro da Justiça Miguel Reale conversou com duas testemunhas. Mas até hoje tem gente bem informada que atribui a morte de mamãe a um acidente mal esclarecido. Nunca um caso foi tão esclarecido. Esse é um cacoete nacional. Precisamos nos convencer da monstruosidade da ditadura brasileira. Por isso, ainda vemos jornalistas importantes escrevendo que houve um acidente mal esclarecido. Quando mal esclarecidos estamos nós.

A Comissão Nacional da Verdade reconheceu o crime do Estado contra Zuzu Angel? 

Nossa família recebeu R$ 80 mil de indenização. E a comissão endossou o depoimento do  Cláudio Guerra. Portanto, o Estado reconheceu que o gabinete de Geisel chancelou o atentado. Mas temos muita dificuldade de aceitar que vivemos isso. Talvez exatamente por isso estejamos vivendo esse momento em que se tenta qualificar a ditadura militar. Tentam justificar a ruptura democrática, seja na política, seja pelo Judiciário.

Você pretende reabrir o caso de sua mãe? 

Vou primeiro ouvir o Nilo Batista, que ajudou na reconstituição da tortura e morte de meu irmão Stuart Angel,  ouvir o Pedro Dallari, que ajudou no caso de minha mãe, e outras pessoas que possam me aconselhar. como o ex-deputado Nilmário Miranda. Depois tomarei a decisão.

Mourinho irá pagar 800 mil euros de multa ao fisco espanhol e evita pena de prisão

https://www.publico.pt/

O treinador português José Mourinho vai declarar-se culpado de ter fugido a impostos relacionados com os seus direitos de imagem em Espanha e poderá pagar mais de 800 mil euros ao fisco espanhol, escreve o diário espanhol El Mundo.

O acordo do actual treinador do Manchester United com o fisco espanhol anula a pena de prisão, aplicável até aos 12 meses, no caso dos pagamentos por direitos de imagem de quando era treinador do Real Madrid.

O treinador já tinha sido acusado ter lesado o Estado espanhol em 3,3 milhões de euros em 2011 e 2012, quando treinava o Real Madrid.

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Já em Julho de 2015, Mourinho reconheceu a falta da declaração de direitos de imagem e aceitou pagar uma coima de 1,14 milhões de euros, mas, para o fisco espanhol, o caso não ficou totalmente resolvido.

Lula “ não sei se os acusadores dormem com a consciência tranquila que eu durmo”

https://brasil.elpais.com

“Bom dia, presidente Lula!”. São 9h e a saudação anuncia o começo do dia na porta do prédio da Polícia Federal em Curitiba, onde Luiz Inácio Lula da Silva foi preso em 7 de abril, após ser condenado a 12 anos e um mês de prisão pela Operação Lava Jato. Há um mês, o tranquilo bairro de Santa Cândida, uma área de classe média, está agitado. Um grupo de apoiadores do ex-presidente se reveza na frente do prédio para manter uma vigília constante que, prometem, só acabará quando o petista for solto. É uma espera. Mas não sem alguma rotina. Após o bom dia, uma tenda móvel montada na rua recebe shows e discussões políticas. Às 19h, um “boa noite, presidente Lula”, amplificado por um microfone e uma caixa de som, marca o fim das atividades. Na próxima manhã, tudo recomeçará.

O objetivo do ato permanente, coordenado pelo PT e organizações como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Sem-Terra (MST), é mostrar ao ex-presidente —e dar um recado público— de que ele não está isolado. É difícil, entretanto, que Lula consiga escutá-los. Sua cela, no quarto andar, fica nos fundos do prédio e a única janela se abre para um pátio interno. Nestes 15 metros quadrados, o presidente mais popular do Brasil está sozinho. Cumpre sua pena em uma sala especial, por ter sido chefe de Estado. Há uma cama, um banheiro privativo e uma porta normal, ao invés de grades. Uma vez por dia, durante duas horas, ele toma banho de sol em um terraço.

Além de Lula, a sede da PF de Curitiba abriga outros 21 presos no momento. Ela foi pensada para ser um lugar de passagem para detidos geralmente em flagrante. Mas desde o início da Lava Jato, passou a manter de forma mais permanente investigados que negociam delação premiada com a Justiça em troca de redução de pena. É lá que está, por exemplo, Léo Pinheiro, o executivo da OAS cujo depoimento foi determinante para a prisão do ex-presidente —ele afirmou que o triplex do Guarujá pertencia a Lula. E Antonio Palocci, ex-ministro petista, que deve delatar o antigo chefe em breve. Estar ali é mais confortável do que estar em um presídio comum. “Aqui, ao menos, ele tem alguma dignidade”, disse o petista Jaques Wagner, após visitá-lo na última quinta-feira.

Por isso, a defesa do ex-presidente não pediu ainda sua transferência para um lugar mais próximo da família, como é de costume. Terá até esta segunda-feira para se manifestar sobre dois pedidos de transferência feitos na Justiça. O primeiro, pela Polícia Federal, que diz que o custo de mantê-lo ali é muito alto —cerca de 300.000 reais por mês com a segurança extra dentro e fora do prédio, onde todo o quarteirão está isolado por barreiras policiais. O segundo, pela Prefeitura de Curitiba, que afirma que moradores do entorno do prédio estão incomodados com o barulho dos apoiadores e as barreiras da polícia, que só deixam passar quem mostra comprovante residencial. “É uma dificuldade de entrar e sair que muda nossa rotina”, conta o aposentado Antônio Rosa, 69 anos. “Mas o que enche a paciência mesmo é o barulho, esse bom dia, Lula, boa noite, Lula. Aqui sempre foi um lugar calmo”.

Para a professora de direito penal da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), Maíra Zapater, há ainda outro problema em mantê-lo ali: a inadequação do local para a prisão. “Carceragem não é um local pensado para o cumprimento de pena. Ele já está em uma situação sem previsão legal, que é ser preso antes do final dos recursos sem os fundamentos da prisão preventiva, que são risco de fuga e possibilidade de destruição de provas”, ressalta ela. A professora também afirma que há uma súmula do Supremo Tribunal Federal que permite que presos preventivos possam fazer atividades para diminuir a pena, como trabalhar e estudar. Mas não há espaço para isso na carceragem de Curitiba. O professor de direito da USP, Gustavo Badaró, entretanto, discorda. “Não há como negar que ele está melhor que em um presídio. E ele poderia exercer trabalho ali porque não precisa ser algo formal. É só dar uma vassoura para ele e mandar ele varrer um espaço”, explica.

Visitas

Quase diariamente, os advogados de Lula estão com ele. Às vezes, levam recados do ex-presidente aos militantes. No último, entregue na sexta-feira, disse: “Estou tranquilo e sereno. Não sei se os acusadores dormem com a consciência tranquila que eu durmo”. Às quintas-feiras, ele recebe filhos e parentes de primeiro grau. Mais de uma dezena de conhecidos já tentaram encontrá-lo, entre eles o prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, o teólogo Leonardo Boff, e a ex-presidenta Dilma Rousseff. E também um monge budista de Brasília, sem qualquer relação com o ex-presidente. Foram proibidos pela juíza Carolina Lebbos, responsável pela execução penal do petista, com o argumento de que isso poderia inviabilizar o funcionamento da sede da Polícia Federal, um prédio aberto ao público que emite passaportes.

Nesta última semana, entretanto, um acordo entre a Polícia Federal e a juíza mudaram o regime de visitas do petista. Ele conseguiu receber pela primeira vez amigos escolhidos. Serão dois, a cada quinta-feira, que dividirão o tempo com a família. Lula aproveitou, então, para tentar dizimar uma crise que parecia se formar no PT. Chamou a presidenta do partido, Gleisi Hoffmann, que levou a tiracolo Jaques Wagner, como quem precisava de uma conversa séria. Wagner é cotado para ser o plano B de Lula nas eleições de outubro, uma estratégia que não agrada o ex-governador baiano agora. Nos últimos dias, ele deu uma declaração em que se mostrava favorável a que o PT entrasse na chapa de Ciro Gomes (PDT), mas na vice-presidência. Hoffmann se enfureceu. Afirmou que Ciro “não passa no PT nem com reza brava”. Ao sair da visita a Lula, ambos foram questionados se o assunto foi tema do encontro. “Ciro Gomes não é pauta nem do PT, nem da conversa”, afirmou ela, irritada.

Ataques

Para acolher os militantes que permanecem diariamente na frente da Polícia Federal, um terreno foi alugado pelo Partido dos Trabalhadores a cerca de um quilômetro dali. São dezenas de barracas de camping e dois barracões de lona, banheiros com ducha e uma cozinha, que na última quinta-feira servia gratuitamente arroz com charque, feijão e legumes. A cada dia, chegam e saem delegações de diversos Estados para manter o apoio ao ex-presidente. E todos dormem ali. “Pretendo ficar aqui até ele sair. E quero que isso seja o mais breve possível”, afirmou o carioca Richard Faullaber, 63 anos, filiado ao PT desde 1981 e professor voluntário em uma favela. “Lula tirou milhões de crianças da pobreza. O trabalho político é fundamental”, explicava ele.

Na última semana, a porta do acampamento ganhou uma barricada de proteção. E uma viatura permanente da Polícia Militar na porta. Na madrugada de sábado, 28 de abril, uma pessoa atirou contra os habitantes do acampamento pró-Lula, deixando dois feridos. O sindicalista Jefferson Lima de Menezes foi atingido no pescoço e deixou o hospital apenas na última quinta-feira. “Os tiros começaram e mandamos todo mundo para os fundos do acampamento, para deitar no chão”, conta Jocimar Soares, 28. “Hostilidade contra a gente tem todo dia. É comum, diário”, diz. Na última sexta-feira, um delegado da Polícia Federal atacou a vigília de Lula na frente da Polícia Federal. Logo após o bom dia, destruiu os aparelhos de som. Caixas substituídas, tudo já estava pronto para o boa noite.

Capa do dia – Primavera azul

Futebol paixão somente no número 4110 da Av. Almirante Barroso

Deixamos as mochilas no locker e formos ao Nissan Stadium assistir a liga profissional japonesa .

Em vez da Tuna, jogavam Yokohama Marinos vs Júbilo Iwata .

Na falta do churrasquinho + farofa, havia yakisoba . O chopinho estava perfeito,mas, a latinha do Chico Vasques é melhor.

O futebol gourmet é detestável para muitos , principalmente tunantes – os de Vera- por ser um time fora de Série.

Tunante é acostumado com cimento quente , picolés e chopp de frutas – vai chupar aí , meu patrão ?- o de Cupu é meu preferido.

Sem contar que a maioria de nossos jogos são sempre as 10 da matina e com bandinha para completar o pacote .

Mas vimos a torcida visitante em um número assustador e a gente sabendo que o egoísmo social não é nada apreciado por estas banda , entende de cara a mescla de passado-presente caminharem juntas nas bancadas.

Comprei uma camisola pro miúdo caçula do Y. Marinos ,1/3 mais barata que a oficial e uma flanela para minha coleção . Preços honestos e que não ferem bolsos operários.

Havia batucada, bandeirolas e muita reclamação dos adeptos da casa com a má performance de seu time .

O futebol sempre foi a cachaça preferida dos peões (as) no Brasil e no mundo, veio a nova era e com ela chegou seus estádios modernos com assentos marcado, ingressos via internet e brocas americanizadas …

Mesmo com o Y. Marinos estar com a água a cobrir o pescoço, mais de 19 mil adeptos se fizeram presente no Y. Marinos Stadium .

O futebol gourmet é um entretenimento. Futebol paixão só no número 4110 da Av. Alm. Barroso e alguns poucos cantos pelo Brasil e no mundo. Se é que vocês me entendem…

Diz que fui por aí

Luís Melodia

Diz que fui por aí

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Se alguém perguntar por mim

Diz que fui por aí

Levando um violão debaixo do braço

Em qualquer esquina, eu paro

Em qualquer botequim, eu entro

E se houver motivo é mais um samba que eu faço

Se quiseres saber se eu volto diga que sim

Mas só depois que a saudade se afastar de mim

Mas só depois que a saudade se afastar de mim

Eu tenho um violão para me acompanhar

Tenho muitos amigos, eu sou popular

Eu tenho a madrugada como companheira

A saudade me dói no meu peito me rói

Eu estou na cidade eu estou na favela

Eu estou por aí sempre pensando nela

Pensando nela… Pensando…

A largura de Levir Culpi / Gamba Osaka 3-0 Sagan Tosu

Levir Culpi é um dos poucos técnicos brasileiros que são capazes de transformar as modorrentas coletivas pós-jogo . Passado na casquinha de alho pelo longo tempo nas beiradas do relvado é sempre autêntico no que fala.

Na vitória contra o Sagan Tosu por 3-0 e com o pescoço azeitado pela campanha medíocre, deixou de ser o fona do campeonato e quando perguntado sobre a vitória, foi rápido na resposta -Sorte- disse ele. ” os dois jogadores que eu ia substituir fizeram gols”.

Cinicamente o Vasco homenageia coronel Nunes

Coronel Nunes, dirigente da CBF que usufrui do poder no futebol há mais de 20 anos, foi condecorado com o título de sócio benfeitor do clube carioca

São Paulo – Breiller Pires / https://brasil.elpais.com/

Existem basicamente duas formas de uma instituição reverenciar um cidadão. A mais racional é pela notoriedade, seja por serviços prestados ou por personificar suas bandeiras institucionais. A outra, um tanto discutível, é por conveniência e interesses. Na última terça-feira, o Vasco da Gama, por meio de seu presidente Alexandre Campello, aproveitou a visita à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para prestar homenagem ao Coronel Nunes, mandatário da entidade que substitui, de forma decorativa até passar o bastão ao recém-eleito Rogério Caboclo, o investigado Marco Polo Del Nero, banido pela FIFA após denúncias de corrupção

O dirigente da CBF recebeu o título de sócio proprietário benfeitor do clube, uma honraria concedida a torcedores ilustres, personalidades e apoiadores. Durante as gestões de Roberto Dinamite, ex-jogadores que levantaram taças memoráveis pelo Vasco, como Felipe, Pedrinho, Juninho Pernambucano e Edmundo, foram agraciados com o título. No mesmo período, vascaínos pouco atuantes, porém célebres, a exemplo da apresentadora Fátima Bernardes e do cantor Roberto Carlos, receberam a distinção. Dinamite ainda homenageou o então governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que sonhava ser presidente do clube, mas hoje, preso, acumula penas de 87 anos pelos crimes de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Voltemos ao Coronel Nunes. Ele se diz vascaíno, mas também torce pelo Paysandu, de Belém. Comandou por quase duas décadas a Federação Paraense de Futebol, de onde só saiu para se dedicar à presidência da CBF após uma manobra política que resguardou o círculo de poder de Del Nero. Com uma série de gafes no currículo e parcos conhecimentos sobre gestão do futebol, raramente se expõe ao público e à imprensa. Aos 81 anos, já comparou a confederação a uma unidade militar. Na época da ditadura, como oficial da PM, colaborou intensamente com as atividades do regime militar no Norte do país. Apesar de ter sido um fiel escudeiro dos governos ditatoriais, o Coronel Nunes, segundo revelou a reportagem da Agência Pública, em 2016, recebe cerca de 15.000 reais mensais como anistiado político da Força Aérea Brasileira, onde serviu antes de integrar a polícia.

Nesta quinta-feira, o Vasco joga pela Copa Libertadores contra o Racing, que, há algumas semanas, se juntou a vários clubes de futebol para cobrar o julgamento de militares responsáveis pelos crimes de tortura e assassinatos durante a ditadura na Argentina, lembrando os 42 anos do golpe de Estado liderado pelo general Jorge Videla. Já o time carioca, quase 50 anos depois do AI-5, decreto que acirrou a violenta repressão militar no Brasil, resolveu agradar um reconhecido homem de confiança da ditadura, que nunca se mostrou relevante como personalidade do futebol tampouco ostenta uma ficha corrida de serviços prestados ao clube. O fez meramente por conveniência, se curvando à pequena política da cartolagem e contrariando sua origem democrática.

O Vasco, que completa 120 anos em agosto, foi fundado por imigrantes portugueses e se tornou pioneiro ao abrir portas para negros e operários. A homenagem ao Coronel Nunes, chancelada pelo Conselho, é uma afronta à história do clube, tal qual a última eleição que levou Campello ao poder graças ao arranjo político orquestrado por Eurico Miranda. A diretoria cruzmaltina ainda não se pronunciou para justificar a concessão do título ao cartola da CBF. Hoje à noite, na Argentina, dois dos times mais tradicionais da América do Sul estarão frente a frente. Mas apenas o Racing foi capaz de levantar a voz contra os fantasmas da ditadura que tanto sangue derramou pelo continente. Ainda que vença no campo, o Vasco já amarga um vergonhoso revés no duelo institucional.

Capa do dia