O Teatro dos Horrores (por Guilherme Cassel)

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Semaninha desgraçada a que passou. Algo bem próximo a um Teatro dos Horrores, para ficarmos só na política. O Sartori/Coringa parcelou os salários pelo décimo mês consecutivo e nem se coça para pagar o 13º. O Fortunati, cujo vice, durante a campanha eleitoral, disse que não havia crise financeira na prefeitura, agora avisa que vai atrasar o 13º, mas que a culpa é do Marchezan que não quer antecipar o IPTU do ano que vem. Já o Marchezan, por sua vez, não deixa por menos e ataca o Fortunati, afirmando que a situação financeira da prefeitura é pior do que a do Estado. O Temer, avisa que vai a Chapecó, mas pede que os pais dos mortos se desloquem até o aeroporto para abraçá-lo. Depois volta atrás, disse que não disse; fez que foi e não foi, mas acabou indo ao velório. O sujeito é surpreendente! E teve mais: o Gilmar Mendes bateu de frente com o Moro; o mesmo Moro tomou uma surra do Lindbergh no Senado e depois tentou se vingar chutando o Renan Calheiros, que, por sua vez foi alvo de hostilidades da Carmem Lúcia e do Janot.Na esplanada dos ministérios, em Brasília, a polícia bateu nos estudantes como há muito não se via, coisa de fazer inveja a um Newton Cruz. Ao mesmo tempo que corria a pancadaria lá fora, dentro do Palácio, alguns comensais, amigos dos golpistas, brindavam com Champanhe em um farto coquetel, festejando não se sabe direito o que, em um Dia Nacional de Luto pela morte dos jogadores da Chape. Para completar, o Renan Calheiros, num rasgo de brilhantismo, disse que o Onix Lorenzoni tinha mesmo é nome de chuveiro. Valeu. E como palhaçada pouca é bobagem, a turma da Lava-Jato fez beicinho e ameaçou demissão coletiva caso o Papai Noel não trouxesse o presente que eles queriam e o Moro encaminhou um pedido para se mandar para os States. E no meio dessa esculhambação toda, sai a notícia que o Hélio Bicudo, um dos autores do pedido de Impeachment da Dilma, agora aderiu ao Fora Temer. Também ficamos sabendo do pálido contracheque do Dallagnol em abril deste ano: R$ 86.850,59 brutos e R$ 67.024,04 líquido. Como diria um governador nosso conhecido, “ deixa pra lá que esse negócio de teto é assunto da construção civil”.

Na margem de tudo isso, as ações da “falida e endividada” Petrobras tiveram a maior alta dos últimos tempos, alavancadas pelo acordo feito pela OPEP, de controlar a produção de petróleo. E a Associação dos Engenheiros da Empresa emitiu nota acusando o atual presidente, Pedro Parente, de estar inviabilizando o futuro da Petrobras com sua política de privatização fatiada. Também foi a semana em que o Senado, por larga margem, aprovou a PEC do Fim do Mundo em primeiro turno e que o PIB brasileiro desabou em todos os setores da economia, fazendo com que o presidente golpista solicitasse confiança e paciência para a população e acenasse com uma possível recuperação da economia no segundo semestre de 2017. Otimista esse sujeito.

Mas como sempre é preciso uma cereja no bolo, o COPOM deu uma freada na tendência queda da taxa de juros (SELIC) e só a reduziu em 0,25 pontos percentuais, de 14% para 13,75%, garantindo assim que boa parte dos recursos públicos continuem sendo drenados para a custear a dívida pública e garantindo um bom final do ano e um auspicioso 2017 para o setor financeiro e os especuladores rentistas de plantão.

Mas não desanimemos, moçada. A semana terminou, mas eles ainda prometem muito para o futuro próximo. Juram que encaminham a Reforma da Previdência ainda antes do final do ano e avisam que irão acelerar o processo de privatizações e das concessões. Parecem animados, embora um tanto apreensivos pelas delações da Odebrecht.

Falando sério, embora tudo seja um tanto bizarro, o teatro que estamos assistindo todos os dias está mais para tragédia do que para comédia. Não é para rir, é para chorar. E é ingenuidade ficar só prestando a atenção nas aparências, nos bate-bocas grotescos entre parlamentares, nos shows dos telejornais ou no strip-tease moral de algumas autoridades. Tudo isso tem importância, é bem verdade, mas uma importância relativa. O que de fato importa é que eles – queiramos ou não – estão entregando a Petrobras para os americanos, matando um a um todos os programas sociais que haviam trazido um pouco mais de igualdade para o país nos últimos anos, destruindo o setor público brasileiro, acabando com direitos conquistados, precarizando a vida da população e iniciando um processo de concessões e privatizações que só vai beneficiar meia dúzia de interesses privados. Tudo para os amigos de sempre. Estão concentrando renda e tirando empregos; destruindo a estrutura produtiva do país para satisfazer os interesses dos rentistas. Foi para isso que deram o golpe e é por isso que precisamos derrotá-los o quanto antes. O resto é só espetáculo. São eles revelando ao distinto público a matéria podre da sua natureza. E rindo do nosso espanto.
.oOo.
Guilherme Cassel, 60, é Auditor Fiscal do Tesouro do Estado, aposentado. Foi, Vice-Presidente e Diretor de Crédito do Banrisul e Ministro do Desenvolvimento Agrário do Brasil.

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