Sobre partidas

Nas últimas horas tem saído muitos textos envolvendo ela. A morte.

 A tragédia com o avião que transportava os rapazes da Chapecoense, fez com que muita gente escrevesse a sua forma de digamos- entender a morte . Em algum momento a gente acaba entrando numa de estudar nossas vidas deste lado e também discutir a partida.

O sayonara final , o jogo da vera é difícil de saber quando será . É sabido que muitos não conseguem admitir que uns embarquem bem mais cedo que outros.

Balzac, dizia “que morremos a primeira vez, quando perdemos o entusiamo” sobre a segunda vez nada sabemos.
Chegamos mesmo a propor trocas. Vasculhamos os currículos de milhares de seres e apontamos que alguns destes poderiam fazer a substituição perfeita. Para nós poupar da perda de uns tantos gente boa.

Quando meus miúdos não davam conta sequer de amarrar seus cadarço , eu sofri o primeiro tremor. Foi algo tão rápido que sequer tive tempo de pensar … 

Naquela época , eu jamais admitiria que tivesse que seguir tão cedo para as- montanhas. Era inconcebível que eles ficassem ao sereno e sozinhos em mundo tão desconhecido.

Os filhos partindo antes dos pais, também são coisas que não deveriam está escrito na regra geral de nossa andança por aqui. Sim ou não?  Muitos poderão fazer sua listinha e incluir mais coisas.

Mas acontece que a vida não funciona assim. Por mais que busquemos encontrar falhas nisto ou naquilo , nada até aqui é capaz de parar o imprevisível momento de dizer, sayonara, sayonara.

Certo dia ,em um desses muitos tremores, eu estava dormindo totalmente anestesiado pelo cansaço . Senti tudo tremendo com muita força , olhei para os lustres e seu frenético balanço ,e capotei novamente. Não foi uma aposta.

Normalmente eu preciso de alguns minutos para ligar os ferros e entra no ar. Depois me peguei pensando no seguinte – desde quando que fiquei preparado para aceitar uma ida tranquila para as montanhas?- desde quando perdi o medo da morte?  

Bem, é melhor parar por aqui. O arroz nem foi posto. Tinha umas caixas pra arrumar, acabei lendo trechos  de alguns livros.  Tinha umas roupas nas máquinas, acabei no Netflix…

O caso é que, não podemos nunca nos esquecer de abraçar, dizer obrigado, amar sempre, de viver mais e mais … buscando o melhor para si e para o mundo todo.

A gente tem todos os dias a chance de se preparar para uma subida repentina para as amadas montanhas.

Pois afinal de contas a gente nunca sabe quando o “maldito ” plin plon  ,irá soar . Um e-mail seria horrível .

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